O Farol do Cabo da Roca tem uma posição geográfica importante: é o ponto mais ocidental da Europa, durante muitos anos considerado o ponto “onde a terra se acaba e o mar começa”. Talvez, por isso, também é um farol com grandes problemas com frio e a ventania, com grande beleza pela sua paisagem natural e vegetação rasteira que cobre, durante esta primavera, de brancura da Armenia Pseudarmeria que só ali se dá, e com grande número de turistas a fotografar em volta o oceano Atlântico.
Durante muitos anos os barcos se chocavam com as falésias escuras que, sem o farol, não tinha a protecção num importante ponto de tráfico portuário, a entrada de Lisboa. Em 1758, sob o reinado de D. José, o marquês de Pombal desejoso de abrir o país mandará edificar no alvará de 1 de Fevereiro de 1758 da Junta Geral da Fazenda do Reino seis faróis, entre eles, o do Farol do Cabo da Roca construído em 1772, o terceiro mais antigo da costa portuguesa, o primeiro farol construído de raiz, uma vez que os dois anteriores foram instalados em construções já existentes.
Com uma torre de 22 metros de altura, encontrando-se a sua luz 165 metros acima do nível do mar, pouco ou nada se sabe quanto ao material que inicialmente o equipava. Como não se avistava a sua luz a mais de 2 milhas, acredita-se que o material instalado seria muito rudimentar.
Em 1843, sob gerência do engenheiro Gaudêncio Fontana, o farol sofreu importantes alterações, entre as quais se contou com a montagem de um novo aparelho de rotação, composto de dezasseis candeeiros de Argand com reflectores parabólicos. Mesmo assim, em 1865 os comentários conhecidos em relação ao farol do Cabo da Roca, não eram os mais abonatórios: «... Tem uma lanterna de abrigo com tal largura de caixilhos, que na direcção d´estes nenhuma luz se vê. De pouco ou nada servem e é de lamentar que enquanto as demais nações procurem a segurança e a facilidade da navegação, nós maltratemos os que nos procuram e, como indicador do litoral, lhes mostremos apenas umas luzes de “negaças” e por isso de pouca utilidade.»
Em 1883 foi aprovada a instalação de um farol eléctrico e de um sinal sonoro, tendo a construção dos edifícios, sido protelada em virtude da terrível crise financeira que tão duramente se manifestou. O farol eléctrico somente se acendeu em 1897. O aparelho óptico era de 4ª ordem, sendo a rotação produzida por um mecanismo de relojoaria. Neste mesmo ano entrou em funcionamento uma sereia a vapor (sinal sonoro). Este sinal sonoro seria substituído por outro accionado a ar comprimido em 1932, que seria novamente substituído por uma sereia eléctrica em 1982 e extinto em 2000.
Em 1937 foi instalado um radiofarol que viria a ser extinto em 2001 por deixar de ter interesse para a navegação. Foi montado um novo aparelho óptico aeromarítimo em 1946, tendo no ano seguinte este mesmo aparelho sido substituído por um de 3ª ordem, grande modelo (500mm distância focal). A lâmpada montada era de 3000W.
Em 1949 o farol foi ligado à rede pública de abastecimento de água e em 1980 à de distribuição eléctrica. Em 1990 o farol foi automatizado e a instalação produtora de gás acetileno encerrada por se ter substituído a utilização deste pela energia foto voltaica.
Informações Técnicas
Local: Cabo da Roca, Sintra.
Altura: 22 m
Altitude: 165 m
Luz: Rl (4) Br 18s
Alcance: 26 M
Óptica: 3ª Ordem
Ano: 1772
Coordenadas:
Latitude 38° 46.8' Norte
Longitude 09° 29.8'Oeste.
Onde fica:
View Larger Map
Fotos:
Fonte:
Louro, Maria Regina e Vilhena, João Francisco. Faróis de Portugal. Gradiva, Lisboa: 1995.
Revista da Armada, Set/2003.
