O pequeno Farol da Ponta da Piedade guarda uma bela vista, mas não a calmaria. É que este farol se encontra em ponto de rota turística, o que é comprovado por um café situado logo ao lado e uma loja de lembrancinhas. Um bom passeio ao redor é feito, mas algumas vezes com o incomodo de pessoas a andarem apressadas antes que saia o autocarro. Fora isso, nada parece destruir uma das mais belas paisagens algarvias com as formas das falésias, esculpida pelo mar e pelo tempo formando um cenário edílico recortado pelo azul esverdeado do oceano Atlântico.
Construído no lugar duma ermida, o Farol da Ponta da Piedade também já constava no Plano Geral de Alumiamento e Balizagem aprovado em 1883, mas apenas como uma luz de porto na Ponta da Piedade. Apesar desta intenção, como tantas outras na história de construção dos faróis, não foi construído qualquer farol ou farolim durante muitos anos. Nomeada pela portaria de Outubro de 1902, a Comissão do Ministério da Marinha e Ultramar propôs a instalação dum aparelho de 6ª ordem, mostrando dois clarões brancos, seguidos dum vermelho. Entretanto, mais alguns anos se passariam até que uma nova medida fosse concretizada. Em 30 de Dezembro de1911, a 1ª Direcção Geral dos Eclesiásticos cedeu as dependências da antiga e arruinada ermida de Nossa Senhora da Piedade ao Ministério da Marinha para ali ser construído um farol de rotação. Segundo o Diário do Governo nº 10 de 12 de Janeiro de 1912, O processo acabou por não ser pacífico, pois a junta da Paróquia de Santa Maria de Lagos era contra a demolição da ermida.
Em 15 de Fevereiro de 1912, o Contra-Almirante Schultz Xavier, representante da Direcção Geral da Marinha, tomava posse da ermida e dependências e em Março do mesmo ano, comprou um prédio rústico por 250.000$000 reis a Artur Baptista Galvão para construção do farol. O Farol da Ponta da Piedade entra em funcionamento em 1 de Julho de 1913, inicialmente equipado com um aparelho óptico de 4ª ordem, de rotação, emitia cinco relâmpagos agrupados a cada 10 segundos do alto de uma torre de cinco metros, a 51 metros de altitude, tendo como fonte luminosa um candeeiro de petróleo.
Em Maio de 1923, a óptica de 4ª ordem foi substituída temporariamente por uma de 6ª ordem, fixa, de luz branca. Sendo que em Dezembro do mesmo ano foi retirada a óptica de 6ª ordem, passando a luz de ocultações de 2 1/2 segundos apagada, intervalados de períodos de luz fixa, branca, de 4 segundos de duração. O farol foi ligado a energia da rede pública em Maio de 1952 passando a fonte luminosa a ser a incandescência eléctrica, o que permitia um novo alcance luminoso de 15 milhas, posteriormente aumentado para 18 milhas. Já em 1956 foi adquirido e montado um novo aparelho de incandescência eléctrica com passagem automática a gás acetileno. Automatizado em 1983 com um sistema modelo GISMAN, funciona atualmente exclusivamente a electricidade, com uma característica luminosa de relâmpagos simples de cor branca, período de 7 segundos e um alcance de 20 milhas.
Informações Técnicas
Local: Lagos
Altura: 5 m
Altitude: 51 m
Luz: Fl W 7 s
Alcance: 20 M
Óptica: 4ª Ordem
Ano: 1913
Coordenadas:
Latitude 37° 4.81' Norte
Longitude 8° 40.10'Oeste.
Onde fica:
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Fotos:
Para saber mais:
O Plano Geral de Alumiamento e Balizagem das Costas foi criado em 1883 pela Comissão de Faróis e Balizas criada dois anos antes. Com isso, Portugal passou a ter um conjunto de directrizes para as etapas de sinalização marítimas que se seguiram. Antes disso existiam apenas os seguintes faróis: na barra do Porto, no cabo Mondego, Peniche, Roca, Santa Marta, Espichel, Sines, cabo de São Vicente, cabo de Santa Maria.
Fonte:
Revista da Armada, Abril/2005.
"Faróis de Portugal" de João Francisco Vilhena e Maria Regina Louro, 1995.
